PROGRAMA

PROGRAMA

FRANZ SCHUBERT
Quarteto Rosamunde: quarteto de cordas, nº 13 em lá menor, D. 804, Op. 29
Allegro ma non tropo
Andante
Menuetto – Allegretto – Trio
Allegro moderato

 

MAURICE RAVEL
Quarteto de cordas em fá maior
Allegro moderato. Très doux
Assez vif – Très rythmé
Très lent
Vif et agité

SOLISTA CONVIDADO

SOLISTA CONVIDADO

Regis Pasquier | FRANÇA | Violino

Nasceu em 1945 e já aos 12 anos Regis Pasquier recebeu o primeiro prêmio para violino e música de câmara do Conservatório Nacional Superior de Música de Paris. Em seguida começou a excursionar pela Europa e dois anos mais tarde partiu para os Estados Unidos, para um recital em Nova Iorque. Foi um ano decisivo em sua carreira, pois teve encontros com músicos como David Oistrakh, Pierre Fournier, Nadia Boulanger e Isaac Stern. Zino Francescatti ficou impressionado com seu talento e alguns anos mais tarde pediu sua colaboração para gravar, pela Deutsche Grammophon, o “Concerto para dois Violinos e Orquestra” de Johann Sebastian Bach.

Em 1985 foi nomeado professor de violino e música de câmara do Conservatório Nacional Superior de Música de Paris sem, no entanto, deixar suas atividades como solista e camerista. Entre suas inúmeras gravações, destaque para as Sonatas para violino e piano de Prokofieff com Pascal Rogé, as obras para violino e piano de Ravel com Brigitte Engerer, os Caprichos de Paganini e a integral dos concertos para violino de Mozart com a Filarmônica de Liège, sob a direção de Pierre Bartholomée.

Sua agenda de apresentações como camerista e solista é das mais intensas, com concertos quase diários na França e no exterior, incluindo EUA, Japão e América Latina.

Trio Solistas

Trio Solistas

PABLO DE LEÓN
Violino

HORACIO SCHAEFER
Viola

ROBERTO RING
Violoncelo

Comemorando em 2019 dezoito anos de atividades, este time de peso do cenário da música clássica brasileira reúne o violinista Pablo de León (spalla da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo), o violista Horácio Schaefer (chefe do naipe das violas do Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) e o violoncelista Roberto Ring.

Juntos desde 2001, o grupo já ultrapassou a incrível marca de mais de 600 concertos realizados no Brasil. Além disso o grupo representou a Brasil em concertos na Argentina e Chile, em concertos prestigiosos na Série Llao Llao no Alvear em Buenos Aires, no Festival Internacional de Ushuaia e na Fundação Beethoven de Santiago Já receberam convidados do mundo todo, entre eles os clarinetistas Antony Pay (Inglaterra), Michel Lethiec e Romain Guyot (França); os violinistas Ilya Gringolts (Rússia), Régis Pasquier (França), Hagai Shaham e Roy Shiloah (Israel), Isabelle van Keulen (Holanda), Cármelo de los Santos e Cláudio Cruz (Brasil), e os pianistas Roglit Ishay (Israel), Emmanuel Strosser, Cristian Budu (Brasil) entre outros.

Juntamente com o pianista francês Emmanuel Strosser gravaram arranjo de 1805 feito por Ferdinand Ries da Sinfonia Eroica de Beethoven.

SCHUBERT & SCHUMANN

SCHUBERT & SCHUMANN

POR
IRINEU FRANCO PERPETUO

Irineu Franco Perpétuo é um tradutor e jornalista brasileiro especializado em literatura russa e em música clássica, sendo um dos principais colaboradores da Revista Concerto, além de importante entusiasta da literatura russa e da cultura musical clássica da cena paulistana.

Com um catálogo de quase mil obras em 31 anos de vida, o vienense Franz Schubert (1797-1828) dominava a arte de reutilizar temas que se haviam mostrado especialmente eficientes. Algumas de suas obras instrumentais mais célebres – o Quarteto A Morte e a Donzela, o Quinteto A Truta, a Fantasia Wanderer – estão baseadas em melodias de suas canções. E, no caso do Quarteto No 13, em lá menor, D. 804, Op. 29, estreado em 1824 pelo quarteto de cordas do violinista Ignaz Schuppanzigh (que fez a primeira audição de várias obras de Beethoven), a inspiração veio da música que ele compôs para uma peça teatral.

Rosamunde contava a história de uma princesa que foi criada como pastora, e tenta retomar o trono. De autoria de Helmina von Chézy (1783-1956), o texto original está perdido, mas não a trilha sonora que Schubert escreveu para a peça, que estreou em Viena, em 1823. O compositor gostou tanto do tema que escreveu para o terceiro entreato de Rosamunde que o empregou como base do segundo movimento do Quarteto D. 804 – e, mais tarde, voltaria a utilizá-lo no Improviso Op. 142 No 3, para piano solo. Não seria a única citação deste quarteto de cordas.

Prolífico compositor de lied (a canção alemã), Schubert faria ainda aparecer, no terceiro movimento da obra, um trecho de Die Götter Griechenlands (Os Deuses da Grécia), canção com texto de ninguém menos do que Friedrich Schiller (1759-1805), o célebre dramaturgo e poeta, autor dos versos do final da Nona Sinfonia, de Beethoven. Schubert, aqui, cita o trecho da canção que pergunta: Schöne Welt, wo bist du? (Belo mundo, onde você está?) Se a questão é melancólica, a resposta parece se encerrar no próprio quarteto, materialização de um belo mundo sonoro.

Com uma produção de tamanho e escopo superiores ao que seus contemporâneos conseguiam absorver, Schubert só foi sendo devidamente avaliado e compreendido pela posteridade, ao longo do século XIX.

Um dos agentes decisivos da recepção de sua obra foi Robert Schumann (1810-1856), igualmente apaixonado por música e literatura, que se empenhou em divulgar a produção schubertiana.

Casado com uma das maiores pianistas de todos os tempos, Clara, Schumann demorou para adquirir confiança para compor para um meio que não fosse o teclado. Intimidado (como todos compositores de seu tempo) pela grandeza dos quartetos de cordas de Beethoven, estudou muito antes de ter coragem de escrever obras do gênero. Seus quartetos foram três, e saíram todos de uma vez: no verão de 1842.

O terceiro e último da série, na tonalidade de lá maior, é considerado o mais ambicioso e audacioso da trinca, e mostram tanto as influências sofridas pelo compositor, como as características próprias de sua linguagem. Estudiosos costumam achar que o quarteto já começa com um tema musical que faz alusão a Clara (uma das muitas declarações de amor à esposa que perpassam a produção de Schumann), enquanto o Assai agitato teria um tratamento schubertiano. Já o terceiro movimento, Adagio molto, soa inspirado por algumas passagens lentas dos quartetos de Beethoven que são grandes hinos contemplativos, almejando o sublime. E o final, Allegro molto vivace, parece remeter às danças que tão caracteristicamente colorem a obra pianística de Schumann.

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